пятница, 30 декабря 2016 г.

Feliz Ano Novo! Grande 2017 para vocês!

O ano de 2016 foi um ano bissexto e foi um ano da confusão:

a Europa ficou confusa com Brexit,
os EUA ficaram confusos com o protagonismo de Trump e Sanders,
a Rússia fica confusa pela guerra civil na Ucrânia.

Os cisnes pretos de Taleb continuam voando sobre o mundo. O fantasma de nazismo volta a rondar pelos países do "centro do sistema-mundo".

Ao mesmo tempo o ano 2016 não foi ruim para a Rússia em que pese a pressão do Ocidente. Os padrões duplos das elites do Ocidente já são evidentes para os mesmos povos ocidentais, os povos demandam a mudança de suas elites. Neste sentido a Rússia, como sempre, está na moda, é um sistema alternativo e mítico.

O prestígio geopolítico da Rússia é alto: o grupo governante de Putin não traiu nem aos pró-Rússia na Ucrânia, nem ao grupo de Assad na Síria.

A Rússia faz tudo que é possível para manter a paz com a Turquia, o Japão e a China - que são frentes possíveis da guerra pela Sucessão Russa.
A legitimidade do grupo de Putin também é bastante alta dentro do país. O exemplo da Ucrânia está diante dos olhos: ninguém quer a arcaização da sociedade mediante um golpe dos radicais neonazistas semicriminais, ninguém quer a destruição de seu país.

A legitimidade do grupo de Putin é alta, em que pesem os muitos problemas que são óbvios para todo o mundo. A degradação do sistema de controle é um destes problemas: aí está a tragédia com avião militar Tu-154, os 2 acidentes com os Su-33 do porta-aviões "Admiral Kuznetsov", a morte em massa de mais de 70 indigentes pela intoxicação com metanol, etc.).

Ideologicamente o grupo de Putin continua trabalhando sem estratégia séria: não há entendimento de nossa sociedade, nem diálogo sobre o nosso futuro. Eles continuam a restauração/clericalização e des-sovietização/des-modernização forçadas. Ao mesmo tempo Putin sempre está disposto a se refugiar na nostalgia da URSS. O putinismo é "vermelho" para a plebe e "branco" para as elites [*.]

Nesse contexto o ano 2017 promete uma dinâmica da polarização da sociedade russa. No ano 2017 vamos celebrar o aniversário 100 da Grande Revolução de Outubro de 1917. O período soviético vilipendiado pelas elites virou um mito para a maioria aplastante dos russos, que não encontraram seu lugar depois da Reforma Devastadora dos anos 90. Vamos ver uma "guerra de narrativas" entre os liberais, nacionalistas, patriotas e comunistas.

Além disso o auto-análise dos russos vai coincidir com uma abertura global: entre 17 de junho e 2 de julho de 2017 a Rússia sediará a Copa das Confederações FIFA de 2017.

Resumindo, o ano de 2017 é um ano em que, mais do que nunca, vale a pena vir para a Rússia! Vai ser muito interessante! 

O mundo está mudando sua pele, a Rússia é o melhor lugar para sentir essa dinâmica.

*. Leia mais sobre a ecléctica de putinismo:






вторник, 4 октября 2016 г.

Ecléctica do putinismo na religião

Já escrevemos antes sobre a tendência eclética do Putinismo: "romanovisação" do período soviético. Os marginais saem para a manifestação do dia da Vitória na 2GM com os ícones de Nikolai II (como fez a heroína da Primaveira Russa na Crimeia, Natalia Poklonskaya, em 2016).Parecem loucos, e afirmam que Stalin poderia ser um filho do general Przhevalski, e que Stalin era um agente da Polícia Segreda dos czares, infiltrado no movimento revolucionário para restaurar o império depois da revolução (a ideia popular entre os euroasianos), etc. O escritor Alexandr Projánov ofereceu a ideologia do "V Império" para explicar a sucessão temporal da Rússia atual, herdeira das formas anteriores do estranho imperialismo russo: URSS, Império de São Petersburgo, Czarato de Moscou, Horda de Ouro... 

O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa Kiril, em 2013, fez um intento de cristianizar o período soviético: ele pediu aos jovens para tomarem de exemplo os mártires da Grande Guerra Zoia Kosmodemianskay e Alexandr Matrosov - "aqueles quem sem pensar sacrificaram suas vidas para a Pátria".

É curioso que nas regiões budistas russas também haja tendências de integrar a memória soviética no contexto budista. 

Ao lado do povoado Juljuta (República da Kalmykia, sul da Rússia) durante a Batalha de Stalingrado, a paramédica Natalia Kachuévskaia quis salvar os soldados feridos, protegendo dos nazistas a entrada de refugio, até o último momento. Quando ela já não tinha balas, ativou uma granada e assim se suicidou, assassinando também a vários nazistas.

Hoje "resulta" que essa façanha aconteceu no lugar, onde antes dos anos 1930 se encontrava um jurul (templo budista) e uma estupa, ergida em cima do túmulo de um famoso Andzha-lama da Kalmykia. O refúgio dos feridos foi feito pelos budistas locais para seu culto em honra de Andzha-lama! Porque o templo e estupa originais tinham sido destruídos durante o radicalismo da guerra civil russa. Os habitantes do local hoje creem que foi Andzha-lama que ajudou os soldados russos feridos a evitar a morte. Como Natasha Kashuévskaia fez uma façanha de bodhisattva, agora ela recebeu uma boa reencarnação!

Além disso o monumento de Lenin em Elista (capital da Kalmykia) foi girado em 180 graus e agora o líder da Revolução Rússa esta olhando para a estatua de Budda Shakiamuni, que foi instalada perto. Obviamente os kalmykies estão "budisando" o período soviético.

P.S.

Os filósofos do Islã russo também oferecem sua revisão de nossa história:

понедельник, 9 мая 2016 г.

Lago dos Cisnes: intento de gorbachovizar a história russa

Na beira do "Lago dos Cisnes" em Moscou ao lado do Mosteiro Novodévichi há um monumento que poucos russos entendem que tem a ver com a Rússia? São uma pata e oito patinhos de bronze... 

Passeando pelo Parque do Lago nós russos costumamos pensar em Piotr Tchaikovsky, que foi inspirado aqui para compor seu famoso ballet. Também pensamos em Pedro, o Grande, que mandou enforcar na beira do Lago do Mosteiro Novodévichi a 230 militares, sospeitos (só suspeitos!) das simpatias politicas para sua meia-irmã Sofia (que já tinha sido enclausurada no mosteiro como monja) - seus cadáveres ficaram vários meses no ar até o inicio de verão, aterrorizando ao povo e a Sofia que estava dentro do Mosteiro. 

Bonito lugar!

Então, aparecem essa pata e 8 os patinhos. A placa diz que é um presente dos EUA para a Rússia. Se trata de um livro "muito famoso" nos EUA: "Make Way for Ducklings". Mas ninguém na Rússia conhece este livro! Só faz pouco tempo que encontrei na biblioteca do meu bairro este livro para crianças de até 2 anos. Não está mal... São desenhos da cidade de Boston vista pelos patos. O livro é tão famoso em Boston que até se organizam lá as Paradas dos Patos! Sem dúvidas esta estupidez de levar para Moscou os patos de Boston poderia acontecer só com a ajuda de Gorby. Me pergunto, por que Gorby não quis instalar este monumento no túmulo de sua mulher Raiça, que está enterrada perto, no Cemitério do Mosteiro Novodévichi?

Mas está bom. O monumento aos 8 Patinhos fica na beira do Lago dos Cisnes.

Os cisnes se ofenderam e foram embora para os mais centrais Lagos de Patriarcas, mas os patos sim, ficaram, animando os turistas estrangeiros. Um casal do México ficou ali durante uns 10 minutos tirando fotos, porque eles tinham justamente 8 filhos homens! Eles me contaram uma história engraçada, que uma vez em Dubai, os moços do hotel descobriram que o casal tinha 8 filhos, e como os árabes tem o culto aos filhos homens, todo os homens do hotel consideraram que era seu dever beijar a mão de meu amigo mexicano "para ter sorte em sua vida familiar".

Um mosteiro medieval, atmósfera relaxada de fantasias, patos do sonho americano de Gorby... Perto ficam os arranha-ceús de Moscow-City. É tudo um contexto da transição desde os tempos oscuros até a "Apertura" e "Convergência"...

Mas pela causa de todas estas histórias estranhas eu tenho uma outra associação com 8 patinhos gorbachovianos: em Zadonsk (uma cidade da região de Lipetsk) há um monumento à Mãe. Maria Matveevna Frolova, que perdeu na Grande Guerra Patriótica seus 8 filhos homens, pagando assim sua parte do orçamento da Vitória.

среда, 20 апреля 2016 г.

Rússia: a terra separatista

<em meados do século XVIII> no tempo de paz o transporte de cargas de Arcangelsk para Londres pelo mar era mais rápido e econômico que de Arcangelsk para Moscou pela terra < O rei da Inglaterra Jaime I valorizou tanto esta região, que em 1612-1613, quando as tropas da Polônia e cossacos tomaram Moscou, ele até analisava a possibilidade da colonização direita de Arkhangelsk (Dunning 1989; Kagarlitski 2003)>. No tempo de guerra as cargas militares eram transportadas de Gibraltar para Balaclava mais rápido que de Moscou para Crimeia <A guerra da Crimeia, Inglaterra/Francia/Turquia vs Rússia>.

No início do século XIX fornecer as cargas para as bases russas no Alasca era 2-4 vezes mais econômico pelos 3 oceanos do que pela Sibéria. Além disso, pelos oceanos era mais seguro. Dessa forma, com a circunavegação de São Petersburgo ou Odessa, o Império Russo abastecia de trigo e azeite a América Russa.

O transporte de peles do Alasca para a China pela Sibéria demorava 2 anos; os navios americanos transportavam as peles em 5 meses.

Tecnicamente e psicologicamente a Índia estava mais perto de Londres do que muitas províncias do Ímperio Russo de São Petersburgo.

Os oceanos conectavam, quando a terra separava.

No mar haviam inimigos e piratas, mas não haviam súbditos. Estes últimos são povos estranhos, descontentes ou rebeldes que precisavam ser pacificados, estudados, trasladados, ilustrados, fiscalizados e recrutados pelo governo, que possuia a responsabilidade sobre eles perante o mundo.

Um fragmento do ensaio de Alexandr Etkind.

воскресенье, 20 марта 2016 г.

Vladímir Oidupaa Oiun (1949 - 2013) é um gênio nato da República da Tuvá (Rússia). Vladímir Oidupaa Oiun foi tão genial que é considerado o criador do novo sub-estilo dentro da kargyraa (um dos estilos do canto difônico tuvano - canto efetuado com a garganta). O novo sub-estilo leva seu nome - kargyraa-oidupaa, e tem seus seguidores e admiradores.

A característica da kargyraa-oidupaa é uma sínteses da tradição tuvana do canto difônico e do romance soviético, um gênero do canto sentimental, inspirado na música cigana, acompanhado pelo bayan (acordeão russo) ou violão.

Se você gosta de Tom Waits, você vai gostar de Vladímir Oidupaa Oiun. Eu até diria que Tom Waits ao lado de Vladímir Oidupaa Oiun é um nada em comparação com o infinito.


Ao mesmo tempo Tom Waits é uma estrela internacional e Vladímir Oidupaa Oiun é pouco conhecido. Os marginais russos gostam de sua música, sim. Os japoneses também reconheceram seu talento. Ele é famoso na Europa. Mas na mesma Tuvá, sua patria, a percepção de Vladímir Oidupaa Oiun é dupla: por um lado, ele é um dos poucos tuvanos famosos mundialmente, por outro lado ele é violador da tradição, que misturou o canto sagrado com a música de profanos.

É muito interessante como Vladímir Oidupaa Oiun virou famoso.

Ele foi criminoso, foi condenado 3 vezes, sempre por crimes hediondos, e passou 33 anos nas prisões da Sibéria. Os jornalistas costumam chama-lo “Charles Manson Tuvano”. Vladímir Oidupaa Oiun em suas entrevistas comentou que foi caluniado. Mas é pouco provável, porque o cara foi caluniado 3 vezes (!) e sempre pelo mesmo motivo: estupro.
Alguns jornalistas trataram de apresentá-lo como uma vítima da URSS/GULAG/KGB, mas Vladímir Oidupaa Oiun não teve nenhum conflito político com o poder, seu pai foi presidente de um cooperativo de camponeses (koljoz), aliás formava parte do poder soviético mesmo. Achamos muito ruim que uma parte dos intelectuais nacionalistas tuvanos trata de canonizar os criminosos (sem falar de Oidupaa havia outro músico relevante tuvano - Alexandr Sarjat Ool, que também passou meia vida na prisão, mas ele em suas entrevistas reconheceu seus crimes: roubo, assassinato, etc.).

Ao mesmo tempo é verdade que a República da Tuva até agora tem um alto nível de violência pelo fator de “demographic hump”/explosão demográfica nas condições da depressão econômica e um atraso cultural. A Tuva às vezes é chamada a Chechênia da Sibéria. Contudo vale lembrar que o Ministro da Defesa da Rússia é um tuvano - Serguei Choigu.

Foi na prisão soviética, depois de ser "caluniado" pela primeira vez, onde Vladímir Oidupaa Oiun aprendeu a tocar acordeão (as aulas de música e outras formas de ressocialização nas prisões soviéticas eram uma normalidade).

Foi na prisão, depois de ser “caluniado” pela segunda vez, onde Vladímir Oidupaa Oiun se graduou à distância (educação superior à distância nas prisões soviéticas era uma normalidade, essa educação era paga, e, sendo um preso, Oidupaa obviamente deveria ganhar suficiente, trabalhando na prisão mesmo, para pagar sua educação à distância. Ele trabalhou na prisão como um gravador de metais).

No final dos anos 80, Vladímir Oidupaa Oiun ganhou a popularidade nos festivais de música étnica em Tuva. Ele fez várias turnês por sua região, fez muitos concertos nas ruas. Nesse período, Vladímir Oidupaa Oiun tinha contatos com várias seitas protestantes, onde seu talento foi descoberto pelos missionários estrangeiros: em 1991, o artista foi convidado para dar shows na Suécia. Esta turnê foi seu triunfo. Durante os concertos, os suecos mediam a temperatura do artista, aplicavam diferentes sensores na garganta dele para entender o milagre de kargyraa-oidupaa.

Então, a essa altura do campeonato, Vladímir Oidupaa Oiun foi “caluniado” a terceira vez. E foi na prisão, no escritório do chefe da prisão, onde o artista gravou seu único disco “A música divina desde a prisão”. O disco lhe deu uma popularidade mundial. Depois de voltar para casa o artista virou uma lenda do underground, mas sua saúde ficou acabada (as prisões da Rússia pós-soviética já são diferentes das prisões de antes). O homem participou na campanha eleitoral do chefe da região, foi uma lenda regional. Uma admiradora do canto difônico do Japão, Taeko Kana até viajou à Tuva para gerenciar as gravações do gênio e de fato essa mulher foi responsável pela manutenção de sua vida (tratamento médico, etc.).

O ponto culminante dessa história estranha foi a participação de Vladímir Oidupaa Oiun no show da televisão russa “Minuto da Glória”: onde um júri de 3 estrelas de TV russa (uma escritora liberal e 2 comediantes) valorizam os trabalhos artísticos das pessoas selecionadas para o show. As estrelas do júri (produto da degradação da cultura russa dos anos 90) nem deixaram Vladímir Oidupaa Oiun terminar sua canção. A interpretação do gênio tuvano foi interrompida 3 vezes! Vladímir Oidupaa Oiun foi ridicularizado pelo apresentador do show e pelo público.

воскресенье, 28 февраля 2016 г.

A Viagem Transiberiana. Pacote Básico. Lago Baikal.

Há pouco tempo um amigo do Brasil me pediu que lhe consultasse sobre a viagem Transiberiana mais econômica do mundo. Como eu trabalho com várias agências especializadas na viagem Transiberiana, então eu perguntei sobre as tarifas a uma colega, que costumava organizar os tours ao Lago Baical para os grupos de espanhóis... Trabalho muito com esses espanhóis em Moscou, lembro que eles são todos mochileiros e me passam a impressão de que fazem um turismo mega econômico.

As tarifas da minha colega resultaram ...chocantes! Eu mesmo com minha experiencia de gerenciar os tours em Moscou e São Petersburgo reconheço que as tarifas da "agência de mochileiros" são altas demais.

Acredito que a Viagem Transiberiana, a viagem para o Lago Baical, o mais profundo, o mais limpo e o mais antigo da terra, deve ser um tour muito solicitado e deve ser um tour bastante económico, porque de fato quase todos os trens da Rússia são transiberianos, há muita oferta!

É legal conhecer as cidades como Cazan (capital do Tartarstão, que fica no rio Volga, representando um mundo especial do islã russificado), Ecaterinburgo (a fronteira entre Europa e Ásia, onde se acabou a dinastia dos Romanov), Irkutsk (antiguíssima cidade da Siberia, fundada como uma prisão), é legal fazer um tour da Ferrovia de Circum-Baikal, mas não é legal pagar excessivamente!

Por isso eu consultei os preços dos apartamentos em cada cidade da rota, encontrei os guias locais, analisei os custos de passagens de trem na página oficial da RZhD e lhes apresento um pacote básico de sua Viagem Transiberiana mais econômica do mundo, calculada para 2 pessoas. 

Quanto mais pessoas formam o grupo, mais econômico sai o tour! Os preços podem variar um pouco em função da temporada (passagens de trens) e em função do baile da taxa de cambio. 

Consulte! Apresentação de Slides:

http://www.slideshare.net/VitalyLizov/a-viagem-transiberiana-pacote-bsico


среда, 24 февраля 2016 г.

os povos deportados unem os liberais, neo-nazistas e euro-comunistas

Um dos mitos negros antisoviéticos e como consequência anti russos é o mito da injusta Deportação de Povos na URSS. De grosso modo, segundo este mito, certos povos do Cáucaso (entre eles tchetchenos, ingushi), da Crimeia (tártaros) e das repúblicas bálticas foram deportados nas condições da Segunda Guerra Mundial por causa de sua "rebelião" contra o "regime totalitário de Stalin".

Celebrando os dias respectivos da deportação, os líderes das repúblicas étnicas costumam amaldiçoar o grupo governante da URSS no seu período heroico. Foram erguidos muitos monumentos que mostram a tragédia da "deportação injusta". Estes monumentos são uma base ideológica perfeita para causar, num futuro, o separatismo ou um purgatório étnico dos russos, porque os russos são "estalinistas inatos, sem dúvida". "Acaso não é uma bomba atômica baixo o predio da Rússia"?

O mito da injusta deportação é super popular tanto entre os liberais, como entre os neonazistas e euro-comunistas. A lógica deste mito é bastante primitiva:

1) Stalin igual aos piores czares, era um déspota e não podia passar nem um dia sem repressões, especialmente, durante a guerra. Stalin reprimia todos os povos da URSS, por isso são justificados qualquer ato de insurreição contra o "regime", deserção durante a guerra, colaboração de todos os níveis e o banditismo. Não importa as consequencias! A URSS de Stalin não deveria existir!

De tal jeito para os neonazistas todos os colaboradores ucranianos/russos/letonos/tchetchenos/tártaros, etc. do Terceiro Reich são heróis nacionais-socialistas. Para os liberais e euro-comunistas são heróis, que lutavam por sua "liberdade", contra o império (igual aos armênios na Turquia Otomana durante a Primeira Guerra Mundial).

2) Apesar de que o número das pessoas que participaram na "luta contra o regime" fosse "irrelevante", afirmam estes contistas, o "regime" aplicou o principio da "responsabilidade coletiva". Os povos foram deportados completamente... O direito moderno não pode aceitar este principio do direito tradicional. A responsabilidade deve ser somente individual!

Acreditamos que a construção deste mito como tal não aguenta crítica nenhuma. Mas vamos apresentar a opinião contraria:

1) É permissível a comparação do regime de Stalin com as monarquias estatistas do Ivã, o Severo, ou Pedro, o Grande. Ao mesmo tempo as repressões não foram arbitrárias e absurdas, tiveram sua lógica da conservação do estado nos interesses da maioria dos povos da Rússia/URSS. Além disso não se tratava de uma luta nacional libertadora das etnias sublevadas, senão deserção, banditismo e colaboração em massa com o inimigo.

2) A deserção, banditismo e colaboração com os nazistas entre os tchetchenos, tártaros da Crimeia, etc. eram EM MASSA (mas de 60% dos soldados tchetchenos, por exemplo), - afirmam os historiadores não tendenciosos. Se o "regime" de Stalin aplicasse o principio da responsabilidade individual, o governo deveria executar a maior parte dos homens das éntias em questão, o que seria um verdadeiro genocídio. Por isso a deportação dos povos completos, aplicação do principio da responsabilidade coletiva, foi a melhor solução, foi um jeito de salvar estes povos. Os povos deportados seguíam crescendo, os filhos desses povos não sofreram discriminação nenhuma no acesso à educação nem na ascensão social.

Por que os thetchenos ou tártaros da Crimeia desertaram em massa, preferindo a pilantragem e colaboração com os nazistas? Ninguém fala de sua "inferioridade étnica"! Simplesmente a tradição destes povos era pirata, havia ressentimento pelo choque da coletivização e a modernização soviética ainda não conseguiu liquidar nem essas tradições piratas nem esse ressentimentos até o inicio da Segunda Guerra Mundial.

P.S.

Não nos esqueçamos que o "melhor país do mundo", os EUA, também aplicaram, nas condições da Segunda Guerra Mundial, o principio da responsabilidade coletiva. Todos os japoneses étnicos, cuidadões dos EUA, foram internados nos campos de concentração devido a Pearl Harbor - eles não eram bandidos, nem colaboraram em massa com o Japão! Também os ingleses e os estadunidenses bombardearam Dresden e outras cidades da Alemanhã sem muito sentido prático, o que foi simplesmente uma missão punitiva contra o povo alemão (os anglo-saxões mataram 25-135 mil homens, mulheres e crianças lá). Os EUA atiraram 2 bombas atômicas contra o Japão simplesmente para aterrorizar o governo da URSS. Por acaso todos os 140 mil japoneses assassinados pelos EUA eram soldados do Japão? É o mesmo principio da responsabilidade coletiva.

Por que os presidentes do Japão ou da Alemanhã não amaldiçoam aos líderes dos EUA e da Inglaterra do período da guerra por seus crimes reais?

Por que os líderes dos tchetchenos, etc. na Rússia fazem isso pelos crimes inventados?

Moscou de 1961, visto com os olhos de espião

Pese a comentarios sarcásticos dos jornalistas dos EUA, podemos ver que os moscovitas de 1961 são muito abertos, tolerantes, despreocupados por seu "privace". Prontos de ajudar, compartilhar, entender.

O ano 1961. Um ano antes da Crise Caribenha. Os mísses nucleares dos EUA já estão na Turquia, visando Moscou. 

Desde 1945 já são desenhados muitos planes da eliminação física da gente soviética: “Totality”, “Pincher”, “Dropshot”, “Broiler/Frolic”, “Charioteer”, “Halfmoon/ Fleetwood”, “Trojan”, “Off-tackle”.

a festa do 23 de Fevereiro na Rússia

O dia 23 de Fevereiro é o Dia do Defensor da Patria. Primeiro, o Dia do Exército Vermelho e Frota, logo o Dia do Exército Soviético e Marinha e agora o Dia do Defensor da Patria.

Achamos que o Exército Soviético era o núcleo do Comunismo Russo. Lá em trincheiras da Primeira Guerra Mundial, se formou o sonho duma sociedade justa e sem castas. Somente graças ao povo armado por causa da Primeira Guerra Mundial, os bolcheviques conseguiram interceptar o poder do governo do capital estrangeiro (o governo provisorio do Fevereiro).

Na primeira etapa do Exército Vermelho, até foram eliminados os graus de oficiais e insígnias de ombro. A gente esperava uma revolução mundial e queria cortar os laços com o mundo antigo. O militarismo foi visto como um fenômeno temporário.

Não havia insígnias, mas claro que havia hierarquia militar e classificação de acordo com o nível de responsabilidade e qualificação profissional.

Em lugar da Revolução Mundial aconteceu a Mobilização Fascista do Ocidente. O Exército Vermelho restabeleceu os graus de oficiais e insígnias de ombro. De fato, o Exército restaurou a estrutura do Exército Imperial, mas o organismo da sociedade da URSS ficou socialista. Os soviéticos construiram uma sociedade-familia, cujo núcleo era o exército.

понедельник, 15 февраля 2016 г.

É possível stalinizar o neoliberalismo de Putin?

Em quiosques de Moscou, apareceram os calendários de 2016 "Stalin. A vitória será nossa!", abarcando os acontecimentos heróicos do período 1938-1945.

Há apenas uns 5 anos atrás, os "stalindários" eram extremamente marginais e agora estão na moda!

De forma que, agora, é muito simples imaginar um calendário com Stalin, decorando os escritórios de algum banco ocidental em Moscou, cujos agentes de cobrança costumam ameaçar seus devedores com a possibilidade de queimar seus filhos em caso de não pagamento das dívidas. Voltam as formas soviéticas, mas o conteúdo é totalmente diferente.

As imagens de Stalin vão ser penduradas ao lado dos ícones do czar Nikolai II (o Sanguinário). É muito possível que outras vizinhas do "Stalin" sejam algumas mulheres seminuas do estilo de pin-up. 

Que turma é essa!?

Uma eclética em lugar de uma síntese! Isso é para animar a plebe nos tempos de caída do nível de consumo. Isso é o último recurso do grupo governante. "O último refúgio dos canalhas".

пятница, 29 января 2016 г.

sobre os gêmeos: Catedral de Cristo Salvador e Moscow-City

Escrevemos muitas vezes sobre a síntese putiniana no campo cultural da Rússia: 

Dois símbolos dos anos 90 - a Catedral de Cristo Salvador e o Moscow-City (o bairro dos arranha-céus no centro da capital) nos ajudam a entender a natureza desta síntese:


A Catedral de Cristo Salvador, restaurada pelos operários turcos, reflete a tendência da arcaização:

- continuam sendo impostas as religiões e o culto dos Romanov
- voltam a moda os nomes para crianças do tempo do ronca
- desestatização provocou o interesse pela genealogia familiar, etc.

Em lugar das ideias do progresso e socialização são impostas as ideias da arcaização e atomização.

E por outro lado vemos o Moscow-City: um grupo dos arranha-céus, desenhados pelos arquitetos ocidentais da moda para as novas elites da Rússia, integradas já à casta superior dos gerentes do capitalismo global.


Há dois mundos dentro da Rússia: o mundo de Cristo Salvador (tradicionalismo) e o mundo de Moscow-City (globalismo neoliberal).

A gente do mundo da Catedral de Cristo Salvador mora em bairros feios e periféricos, perde tempo no trânsito, consume muito álcool barato, fuma nos espaços públicos e sua cultura é um "second-hand" estadunidense.

A gente do mundo de Moscow-City mora nas urbanizações de luxo na província de Moscou: "Greenfield", "Sherwood", "Riverside", "Richmond", "Pineville", "Primevill", "Forest Lake", "Forest Ville", "Ever Green", "Cotton Way" - são os nomes destas urbanizações. Até os tradicionais nomes russos se apresentam do jeito anglo-saxão: Zhukovka Hills, Veshki City, Dmitrovka Village, etc. Esta gente come nos restaurantes mais caros, seu lazer está decorado pelos shows das estrelas mais solicitadas do mundo, etc. Seus aviões privados sempre estão dispostos a levá-los a Londres ou Nova Iorque.

Tal esquizofrenia foi característica também para o período dos Romanov: a religião e os contos de fadas para a plebe e o Hermitage, coleção da arte ocidental - para a nobreza.

A novidade dos últimos anos é retorno do culto da URSS. Não como um projeto do comunismo russo, não, mas como um culto duma grande potência. 

Isso é para animar a plebe nos tempos de caída do nível de consumo. Isso é o último recurso do grupo governante. Será isso "o último refúgio dos canalhas"?

воскресенье, 24 января 2016 г.

Por que Putin tem medo de Lenin?


A revolução será sim televisionada! O Lênin é interpretado por Leo Di Caprio, ouviu! O autor do roteiro é Gene Sharp, caramba!


Pelo menos no famoso estúdio de cine russo Lenfilm (Len - de Lênin) não há dúvidas de que tal filme sobre Lênin Di Caprio será um grande sucesso. A revolução é um tema sério, "a coisa tá russa"! Só os russos de hoje não valorizam sua história do século XX... Não foi a Lenfilm que se lembrou de Lênin, senão um playboy de Hollywood.

E o filme sobre Lênin, um ícone da revolução, é oportuno como nunca. O núcleo do sistema-mundo está em crise: as potências grandes brigam pelos mercados esgotados (aqui entre os intelectuais volta à moda Karl Marx & Co), enquanto as periferias do mundo são formatadas conforme as novas rotas de comércio, desenhadas desde o centro (os intelectuais "periféricos" sempre andam atrasados, vestidos de "conservadores", optando pelos filósofos de direita - o "second hand" europeu).

A Rússia, mãe da Revolução, virou contra-revolucionaria

Se o núcleo do mundo sofre de uma crise de identidade, a hegemonia dos EUA esta na bancarrota (com frecuência estas crises se tornam grandes guerras), as periferias sofrem das "ondas revolucionárias", que já destruíram o espaço post soviético ("revoluções coloridas"), sacudiram o mundo árabe ("primavera árabe"), e elas já estão atingindo a Rússia, penetrando a Ásia, aproximando-se dà China.

A revolução é vista hoje como um simples “regime change”. Os “revolucionários” de hoje já não querem mudar o mundo, senão se adaptar ao mundo finalizado conforme padrões dos EUA. Os países “párias” que desafiam estes padrões são xingados como contra-revolucionários.

Como um dos obstáculos principais para a hegemonia dos EUA foi abertamente qualificada a Rússia (que honra!). O Ocidente declarou uma guerra híbrida à Russia de Putin, provocando um cisma entre as elites russas e deslegitimando o grupo governante de Putin. Para empurrar a Rússia à uma revolução, a Ucrânia é afogada numa guerra civil

Não é de surpreender que nos últimos anos o imaginário coletivo dos russos viva uma nova revisão da história da Revolução Russa de 1905-1917. Não é a primeira vez e esperamos que não seja a última.

Abaixo, à grosso modo, vamos apresentar a interpretação da Revolução Russa de 1905-1917 segundo o atual grupo governante da Rússia e seus intelectuais cortesões:

1) A Revolução de 1905-1917 na Rússia foi um Maidan, um teatralizado “regime change”, orquestrado desde estrangeiro. Como o Maidan foi só um elo da cadeia dos golpes de estados no espaço post-soviético, a Revolução Russa de 1905-1917 também foi só um dos elementos da “onda revolucionaria” do inicio do século XX (Rússia, Império Otomano, México, China).

É impressionante como certas recreações da Revolução Russa pelo cinema soviético pintem o Maidan de hoje!



2) Os beneficiários da Revolução Russa de 1905 e de Fevereiro de 1917 foram, antes de tudo, os anglosaxões e japoneses. 

As reuniões dos radicais russos do inicio do século XX se passavam em Londres e Zurique. E os radicais de hoje preferem quase as mesmas cidades: ex-oligarca Jodorkovski mora na Suiza e ex-oligarca Berezovski morou em Lóndres.

Sem dúvida os opositores receberam o dinheiro do Japão para a Revolução de 1905 (no contexto da guerra entre a Rússia e o Japão). Hoje estão ativados os mesmos enredos geopolíticos:



3) as tecnologias da mobilização revolucionaria também não mudaram muito desde 1905 (a Revolução Russa de 1905, por sua vez, foi uma copia perfeita das revoluções europeias de 1848). Gene Sharp não descobriu nada novo:

- as greves dos setores de infraestrutura para paralizar a vida normal nas cidades mais importantes
- as campanhas de banquetes para a imprensa liberal com fim de radicalizar a opinião pública
- mobilização dos estudantes para as manifestações não violentas (entre aspas), que geralmente se tornam os crueis enfrentamentos com a policia (provocados pelos radicais, infiltrados entre a molecada de estudantes).
- boicote dos intelectuais conservadores, etc.

Tudo que serve para radicalizar o povo, cismar as elites e deslegitimar o grupo governante.

Lev Tolstoi, Máximo Gorki, Vladímir Mayakovski, Vladímir Korolenko, etc. foram um coletivo Pussy Riot do inicio do século XX (sim, vivemos uma terrível degradação, mas ao mesmo tempo devemos reconhecer que hoje a oposição russa no campo cultural não é apresentada somente pelas mediocres Pussy Riot, mas também tem escritores importantes como E.Limonov (nacional-bolchevique), V.Sorókin (liberal), etc. Simplesmente, Pussy Riot são mais convenientes para a promoção. Não nos esqueçamos do último Premio Nobel por literatura do ano 2015).

4) as elites opositoras são uma chave da revolução. É sabido que depois da revolução de Fevereiro de 1917 (quando ganhou o governo provisório formado pelos masons anglófilos) o primo do czar Nikolai II - grande príncipe Kirill até põe um laço vermelho. Foram os “caras” mais próximos ao czar que o fizeram abdicar do trono russo. 

Claro, que as elites eram liberais, mas até entre elas havia também personagens radicais: por exemplo, a organizadora do atentado contra o czar Alexandr II em 1881 foi Sofia Peróvskaya, uma filha do governador de São Petersburgo! Ela não precisava de dinheiro. A diferença de Alexandr Ulianov, irmão de V.Lênin: Alexandr teve que vender sua medalha de ouro (era um estudante brilhante) para comprar os componentes da bomba, endereçada ao czar Alexandr III. 

Queremos dizer que não há nada surpreendente que a afilhada do presidente V.Putin Ksenia Sobchak fosse uma dos glamour-comandantes das revoltas em Moscou em 2012 (K.Sobchak é filha do prefeito liberal e odioso de São Petersburgo Anatolli Sobchak, V.Putin trabalhou nessa prefeitura nos anos 90, muito amigo de A.Sobchak).

5) os revolucionários sonham com uma revolução, e as revoluções acontecem nos momentos da perda da legitimidade por grupo governante. É ridículo falar da ilegitimidade das revoluções. Claro que as revoluções sempre são ilegítimas! Como os governos desafiados por revoluções sempre são os governos que têm pouca legitimidade.

E os revolucionários costumam argumentar com violência brutal (quando o governo já perdeu seu monopólio sobre o uso da força). Um dos mems do Maidan - combatente brutal do braço militar de Pravi Sektor Sashkó Bily é parecido com o marinheiro-anarquista Zhelezniak quem dissolveu com as armas a Assembleia Constituinte Russa em janeiro de 1918. Assim que os radicais russos: bolcheviques e socialistas revolucionários de esquerda conseguiram monopolizar o poder (isso não aconteceu na Ucrânia, onde os radicais são uma clássica bucha de canhão, manipulada pelos liberais). 


Sim, os bolcheviques subiram ao poder por meio de um golpe (contra o Governo Provisório do capital estrangeiro).

Sim, os bolcheviques eram muito radicais, o que em parte foi uma das causas da guerra civil (não a principal): por exemplo, os bolcheviques igualizaram um voto de operário a 5 votos de camponeses.

Sim, aos bolcheviques não lhes importava a “legitimidade”.

7) Como as massas não por todas partes costumam apoiar os revolucionários é frecuente o uso dos mercenários (o que não é decisivo). Igual ao Maidan Ucraniano, segundo alguns historiadores a Revolução Russa também teve este episódio: se trata da participação no Exército Vermelho de chineses (húngaros e letôneos tiveram antes de tudo os motivos ideológicos).

Podemos continuar estes paralelos entre a Revolução Russa de 1905-1917 e o Madian da Ucrânia. Estes paralelos são possíveis iguais aos paralelos entre Israel e o Terceiro Reich.

E na Rússia é bastante comum ouvir falar desses paralelos ao presidente V.Putin, ministro da cultura V.Medínski, vice-presidente do parlamento V.Zhirinóvski, escritor N.Stárikov (presidente do movimento “Anti-Maidan”), etc.

Achamos que, sem dúvida, existe fundamento para tais paralelos, mas não se pode ignorar a específica do golpe de Outubro de 1917:


Foi a primeira vez na história quando os radicais (“marionetas”) conseguiram interceptar o poder de liberais e de seus padrinhos estrangeiros (“marionetistas”). Os bolcheviques restauraram o império russo numa forma mais moderna e muito mais justa, além disso eles conseguiram fazer seu modelo atrativo para uma significante parte do mundo.




Para sobreviver Putin deve virar bolchevique


Сada nova situação tem sua específica. A Rússia hoje não é um país de camponeses, a motivação do povo já não é tão simples como antes. Demograficamente a Rússia não sofre pressão de “уouth bulge”, como em 1905-1917. Ao mesmo tempo a geopolítica e as ferramentas de dominio não mudaram muito. É engraçado que o mesmo Putin & Co para defender sua subjetividade histórica tem que atuar justo como bolcheviques:

Os bolcheviques recusaram de pagar as dívidas do czar aos bancos estrangeiros (um dos motivos da intervenção militar da Inglaterra e França na guerra civil russa). Putin, hoje, também não quer pagar as “indemnizações” aos “inversionistas” de Yukos.

Os bolcheviques prenderam os nacionalismos étnicos oferecendo um modelo de autogestão no marco da União das RSS e antes de tudo apresentando a justiça econômico-social, satisfatória para a maioria dos camponeses multiétnicos. Putin faz a mesma coisa, desenhando a União EuroAsiana. Só o “pragmatismo econômico” de seu grupo governante é bastante hipócrita e pouco atrativo para um homem pequeno.

Os bolcheviques tiveram o problema da luta dentro do partido entre os estalinistas realistas (social-localistas) e os trotskistas fanáticos (social-globalistas). Parece que Putin também sofre desta forma de esquizofrenia dentro de seu grupo governante (estadistas-patriotas vs liberais-globalistas).

O drama da situação atual é o mutismo intelectual de Putin (apesar de sua charlataneria), é um drama de ausência da linguagem vanguardista para se explicar com confiança a seu próprio povo e aos simpatizantes estrangeiros.

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суббота, 9 января 2016 г.

Uma reflexão sobre o "automobilicídio" em Moscou, que pode virar um "automaidan"


Os automobilistas de Moscou se queixam de "automobilicídio", realizado pela Prefeitura de capital.

O que acontece é que a capital está super-sobrepovoada e com frequência fica paralisada pelo trânsito.

Se privatizamos recursos naturais, florestas, terras, moradias, setor energético, nós estamos privatizando a educação e medicina... Então por que não podemos privatizar o espaço de estacionamento em Moscou?! Claro, que a prefeitura fez isso!

Agora só as pessoas relativamente ricas podem usar os carros em Moscou, os demais tem que vendê-los e usar o transporte coletivo.

Como escrevemos antes, a coletivização é uma forma de economizar os recursos (em caso do "automobilicídio" os recursos são as rodovias).

A coletivização é uma mera ferramenta que pode ser usada tanto para o desenvolvimento como para degradação. Com a coletivização os Romanov conseguiram manter durante 3 séculos seu estilo parasitário de São Petersburgo. E com a mesma coletivização os soviéticos conseguiram industrializar o país e triunfar na II Guerra Mundial!

Parece que na situação da crise o governo de Putin tem que voltar a recorrer à coletivização ao estilo de São Petersburgo. Este período esteticamente é mais próximo aos gostos de nosso grupo governante. Pelo menos o presidente do Tribunal Constitucional da Rússia Valery Zórkin há pouco escreveu no jornal do governo da Rússia (Rossiiskaia Gazeta): "Pese a todos os custos da servidão, justo ela foi a base principal, que manteve a unidade interna da nação". Solidariedade mecânica, servidão... A pergunta é para quê?