среда, 4 февраля 2015 г.

2GM: refresquemos a memoria

De vez em quando todos oimos falar as coisas tipo:


Que diabo é que celebramos a Vitória na Segunda Guerra Mundial em Moscou?


Os alunos americanos já sabem que na Segunda Guerra os EUA guerrearam contra a Alemanhã Nazista e contra a URSS comunista, só acabaram com os nazistas em 1945 e com os comunistas em 1991.

Meu Deus! Os EUA acabam com os tiranos cada ano! Por que falamos tanto da 2GM. Basta!


Estas bobagens podem ser indiscutíveis nos EUA, mas hoje elas também viram uma norma entre as elites periféricas da Europa (países como Polônia, cujos cidadãos não se consideram da "primeira classe", onde as elites preparam seus povos para a missão da bucha de canhões). Refresquemos a memoria, por favor.

Ocidente é culpado na tragédia

Em 1936 o Japão e a Alemanha assinam o Pacto Anti-Komintern, dirigido contra a URSS. O Japão e a Alemanha consideram a URSS o alvo principal de sua expansão neocolonial. Londres e Paris fazem a vista grossa sobre a militarização da Alemanha (violando o Tratado de Versalhes de 1919).

Claro, que a URSS alerta intenta criar um sistema de segurança na Europa. Dois de Maio de 1935 a URSS assina o Tratado de Amizade, Cooperação e Ajuda Mútua com a França e a Checoslováquia (os objetos potenciais da agressão germânica).

Desde o abril de 1935 até 1938 a URSS oferece à Inglaterra e a França combinar um Tratado Trilateral, mas não recebe nenhuma resposta concreta até quando ambos os países ocidentais façam um tratado ...com Hitler (Acordo de Munique). "Obsequiamos a Hitler a Europa de Leste para que nos deixe em paz".

Londres e Paris observam com calma a intervenção da Alemanha na guerra civil da Espanha, a introdução das tropas alemãs na zona desmilitarizada da Renânia, o Anschluss da Áustria.


O dia 30 de setembro de 1938 é uma das páginas mais vergonhosas na história do Ocidente: foi assinado o Acordo de Munique (na historiografia russa "Conspiração de Munique"). Londres e Paris bendizeram Hitler para anexar os Sudetos da Checoslováquia.


Em 1939, já bendito pelas potencias mais fortes da Europa, Hitler decide destruir o estado da Checoslováquia. A França não reage, embora ela tenha as obrigações de aliado ante a Checoslováquia [1]!

Em agosto de 1939, Moscou outra vez intenta assinar um Acordo Trilateral com a França e Inglaterra, mas Paris e Londres não querem tomar nenhuma responsabilidade [2].

Obviamente os grupos governantes do Ocidente não viram nada ruim na agressão da Alemanha Nazista contra a URSS.

Como disse Churchil: "O Munique e muitas outras coisas convenceram o governo soviético que nem Inglaterra, nem França não iriam combater, até quando não fossem atacados, e até neste caso elas seriam inúteis".

A URSS ganha tempo, vai resistir sozinha

Em 23 de agosto de 1939 a URSS, o último de todos, assinou com a Alemanha Nazista o Pacto de Não Agressão [3]. O pacto Mólotov-Ribbentrop foi assinado nas condições da agressão da Japão (no auge dos combates no rio Khalkhin Gol) [4]. O objetivo do pacto é ganhar o tempo e se preparar por conta do inimigo.

Jan HrubýJúlia Almeida
Sublinhemos outra vez: a URSS não foi primeiro que assinou um pacto com a Alemanha:

Em 1935 a Polônia assinou o Pacto Beck-Ribbentrop;

Em 1935 a Inglaterra assinou o Pacto Hoare-Ribbentrop;

Em 1938 a França assinou o Pacto Bonnet-Ribbentrop. Este pacto foi dramático para os pequenos países da Europa Continental: se a França tem medo de Hitler, naturalmente a Hungria e a Romênia começam a se reorientar para Berlim;

Em 1938 a Dinamarca;

Em 1939 a Letônia e a Estônia assinaram os Acordos da Paz e Amizade com a Alemanha Nazista;

Em 1939 a URSS, o último de todos, assinou o Pacto Mólotov-Ribbentrop.

A histeria ao redor dos protocolos secretos do Pacto Mólotov-Ribbentrop (sobre o delineamento banal das esferas de influência) útimamente virou um pretexto para demonizar a URSS como um país agressor igual à Alemanha e Japão. Então, se a Rússia é sucessora da URSS, ela também deve pagar as indemnizações à Letônia, Lituânia, Estônia, Polônia, etc. Seria oportuno, se a Rússia fosse marginalizada e expulsada da ONU, - deduzem os "intelectuais"manipuladores.

O caso da Polônia

A URSS em certo sentido decidiu os destinos da Polônia e os Países Bálticos (para mudar a frente de suas fronteiras o máximo possível). Mas antes a Inglaterra e a França decidiram o destino da Checoslováquia em 1938! [5].

Contudo o Pacto Mólotov-Ribbentrop não pressionou o gatilho da guerra. A Diretiva de Hitler sobre a agressão contra a Polônia Fall Weiss ("Caso Branco") aparece já em três de abril de 1939 - antes do Pacto Mólotov-Ribbentrop.

Quando as tropas da URSS entraram na Bielorrússia Ocidental e na Ucrânia Ocidental a Polônia como tal já deixou de existir, seu governo fugiu do país! Não se pode falar da nenhuma "punhalada nas costas".

Também a desavergonhada elite da Polônia deve lembrar, que a Polônia em princípio não poderia se opor à Alemanha (até a França não pôde fazê-lo), a Polônia igualmente seria ocupada! A questão foi se Hitler obteve só uma parte da Polônia ou todo o país.

Além disso, o Pacto Mólotov-Ribbentrop não interferia à Inglaterra e França ajudar à Polônia, que tinha com eles os acordos respectivos. A Polônia atual, vassala dos EUA deve dirigir suas reclamações para a Inglaterra e França.

Às vezes dizem que a URSS deveria ajudar à Polônia e a França. Mas a Inglaterra e a França mesmas evadiram as assinaturas do respectivo acordo com a URSS. A Polônia "vitimada" diretamente excluiu qualquer cooperação com a URSS. Não vamos lembrar que para 1938 a Inglaterra, a França, a Polônia já assinaram os pactos de não agressão com Hitler. A Alemanha denunciou seu pacto com a Polônia quatro meses antes da ataque: os aliados tinham bastante tempo para ajudar à Polônia.

Resumindo há de reconhecer que a Inglaterra e França para o prazer de Hitler sacrificaram não só a Checoslováquia, mas a Polônia também. A França sonhava em dirigir a Hitler contra a URSS. Quanto à Inglaterra, ela também não estava contra a ocupação germânica da França. Como resultado de tal política dos maiores países europeus a Rússia ficou sozinha contra toda a Europa continental, reunida por um país, igual à situação de 1812.

Início da guerra

Em 17 de setembro de 1939 na situação da agressão da Alemanha contra a Polônia, quando o estado polaco quebrou, o Exército Vermelho entrou nos territórios da Ucrânia Ocidental e Bielorrússia Ocidental (terras russas ocupadas pela Polônia no resultado da guerra entre a Polônia e a URSS em 1920-1921).

A Inglaterra e França declaram guerra à Alemanha, mas não tomam nenhuma medida, esperando que a Alemanha continue seu vector oriental.

A URSS se prepara para resistir sozinha. Para mudar a linha da frente de Leningrado a URSS oferece à Finlândia uma troca de terras. A Finlândia recusa e no resultado da Guerra de Inverno em 1939-1940 a Finlândia satisfaz todas as pretensões da URSS.

Em 1940 a URSS se reintegrou com os bálticos (Lituânia, Letônia, Estónia). Os exércitos destes três estados juntos tinham 420 mil soldados, todos eles vão guerrear pela URSS. Se não fosse feito o "delineamento banal das esferas de influência", estes soldados guerreariam contra.

Notas

1. A URSS conforme ao Tratado de Amizade, Cooperação e Ajuda Mútua, assinado com a França e a Checoslováquia em 1935, deveria atuar só depois da reação da França.

2. A Checoslováquia antecipando a agressao da Alemanha enviou aproximadamente 80 toneladas de seu ouro para a Inglaterra, mas em marzo de 1939 depois de ter ocupado por compelto a Checoslováquia Hitler pediu que este ouro fosse devolto. O chefe do Banco da Inglaterra Montagu Norman e ministro de finansas John Simon fizeram o que pediu Hitler.

3. Depois de que a Inglaterra e a França em 1935-1938 ignoraram os intentos soviéticos de criar um sistema de seguridade na Europa.

4. O Japão declarou um protesta à Alemanha, interpretando o Pacto com a URSS como uma traição. O resultado foi o cambio da direção de expansão nipónica - para o Sul e não contra a URSS. Assim, graças ao Pacto Mólotov-Ribbentrop a URSS liquidou a segunda frente da guerra contra a Rússia.

5. No protocolo segredo do Acordo Halifax-Rachinski de 1939 entre a Inglaterra e a Polônia foi escrito, quando a Inglaterra e a Polônia podem atacar o terceiro país (Alemanha ou "outro país"). Neste protocolo mesmo a Inglaterra de fato obsequiou à Polônia o porto de Danzig (em polonês Gdańsk), cujo direto extraterritorial foi colocado sob a proteção da Liga das Nações. Há milhões de exemplos da intervenção das potências nos assuntos dos terceiros países.

Baseado no manual do historiador russo Vladislav Tsigankov

Edição de Eduardo Consolo dos Santos

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вторник, 3 февраля 2015 г.

Eterno retorno de stalinismo

Vocês acham que Putin se parece com Stalin?
O alvo do Ocidente no teatro de operações na Ucrânia é a mudança do regime em Moscou e como consequência o congelamento dos projetos russos da União Aduaneira/União Econômica Eurasiática. Também é importante moderar BRICS/OCX, que desafiam a hegemonia dos EUA.

Para atingir esse objetivo, de um lado, o Ocidente está interessado na escalada da guerra civil na Ucrânia (ajuda militar e financeira para Kiev) - assim, se consegue polarizar a sociedade russa. De outro lado, o Ocidente proclama uma guerra econômica contra a Rússia (sanções) - assim, se ativa o cisma das elites russas.

O cisma da sociedade e a das elites nas condições do déficit de recursos deve levar a Rússia para uma decadência (no pior dos casos: desastre da guerra civil e desmoronamento).

1. O cisma da sociedade

Não é suficiente que o Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) junto com os cossacos disfarçados passe para o lado da oposição neoliberal (Navalniï/Khodorkovskiï). Também é necessária uma cena de multidão para os canais tipo CNN. Quem não veio para a Praça de Pântano em 2012 [1]? Quem não veio para a Praça de Manezh em 2010 [2]?

Para ativar esta galera se lançam os memes como "sovok", "horda", "basta de dar de comer ao Cáucaso" (em Moscou), "basta de dar de comer a Moscou" (fora de Moscou).

O cisma da sociedade se realiza:

- por via ideológica ("sovok/horda" vs "liberais/europeus")

- por via territorial (Moscou, as repúblicas étnicas, Sibéria [3])

A degradação intelectual pós-soviética só fomenta o crescimento do ódio mútuo e a radicalização da sociedade.

Por exemplo, um "cidadão irritado" publica em seu Facebook uma foto das portas a um pequeno parque memorial, dedicado ao dia 9 de Maio. As portas estão pintadas como a bandeira da URSS e a bandeira da Rússia. O "cidadão alerta" escreve vincadamente em inglês: "Back tothe Future!" Seus amigos lhe respondem em comentários: "Há de disparar uma metralhadora contra essa bosta!".

Ou uma jovem nos informa sobre a apertura de uma exposição dedicada a Lenin "Mito de nosso líder amado" e sugere para os "iniciados": "Vocês sentem os cheiros de..."?

Ao mesmo tempo, se para os liberais "tudo está claro", os patriotas estão confundidos: "Cheiros de que? Qual re-sovietização? Onde vocês vêm o retorno de stalinismo? Na política do Banco Central? Nas reuniões ultraliberais do Fórum de Gaidar? E as privatarias contínuas de tudo - isso também é o retorno de stalinismo?".

1.1 Meme do eterno retorno de stalinismo 


Os patriotas perguntam: "Vocês acreditam seriamente que os monumentos dos últimos anos a Stolypin (primeiro ministro de Nikolaï II), Alexandr I (tsar, famoso por seu liberalismo), Brodskiï (poeta dissidente), Kolchak (líder do Exército Branco), até temos um monumento ao iPhone - sério vocês acham que tudo isso é "sovok" e "eterno retorno de stalinismo"?


Os liberais mais astutos respondem que "sim". "Stalinismo" em dado caso já não tem a ver com a URSS, o stalinismo é "tudo, que tem a ver com a história do estado na Rússia". A própria visão historicista já é um elemento de stalinismo! O culturólogo Vladimir Paperniï para explicar este fenômeno desenhou o modelo da oposição "Cultura 1 vs Cultura 2".

Conforme ao "preconceito" de Paperniï toda a história da Rússia é um círculo vicioso formado por 2 ciclos. Um ciclo é "criativo", orientado para o Ocidente, chamado "Сultura1". E outro ciclo é "obscurantista", orientado para o Oriente, chamado "Cultura 2".

Cultura 1
Cultura 2
A Rus’ de Kiev e de Novgorod
A Rus’ de Vladimir e de Moscou
Danylo da Galícia
Aleksandr Nevskiï
Ivã III
Ivã IV (o Severo)
Tempo de Dificuldades e Cisma da Igreja Ortodoxa Russa em XVII
Tsar Alekseï Mikhailovich, patriarca Nikon, Pedro I (?)
Aleksandr I
Nikolaï I
Aleksandr II
Aleksandr III
Lenin e os vanguardistas
Stalin e os realistas socialistas
Krushchov e o "Degelo"
Brezhnev e a "Estagnação"
Yéltsin
Putin

A Cultura 1 está caracterizada pelo cosmopolitismo, democracia, "criatividade", espalhamento, horizontalidade, futurismo, etc. A Cultura 2 está condenada ao chauvinismo, autocracia, "imitação", solidificação, verticalidade, historicismo, etc. 

Prestemos atenção que este conceito maniqueísta é extremamente eurocentrista, os fãs de tais oposições binárias passam por cima do fato que a Rússia sempre está nas condições de uma competição/guerra com o Ocidente e Oriente. Eles gostam das palavras "Nossa cultura se desenvolve através dos traços rápidos sob fogo do inimigo". Mas nem lhes passa pela cabeça a ideia, que este fogo pode ser dos Khazares, Cumanos, Cavaleiros teutônicos, Mongóis, Tártaros, Turcos, Polacos, Lituanos, Suecos, Japoneses, Europa de Napoleão ou Europa de Hitler. Eles em sério acham que a gente russa se autodispara mesmo (no Leste da Ucrânia são os milicianos os que bombardeiam suas cidades!). 

O público russo já esta tão acostumado ao modo de pensar maniqueísta (eslavófilos e ocidentalistas, mencheviques e bolcheviques, troskos e stalinistas, liberais e "siloviki", Cultura 1 e Cultura 2), que não faz sentido de republicar 4 vez na Rússia o livro de V.Paperniï [4]. 

Ironicamente este modo de pensar maniqueísta não é nem europeu/hegeliano/moderno. Ele não aceita nenhum projeto do desenvolvimento positivo da Rússia, ele condena aos intelectuais-maniqueístas a uma síndrome do pânico e suicídio. Assim, o dissidente esquizofrénico Yakov Krótov chega até sonhar com que Putin pode realizar um ataque nuclear contra a Rússia mesma! A Rússia como a conhecemos tem que ser destruída ou integrada à Europa Católica, República das Duas Nações, Terceiro Reich ou OTAN. 

Para entender a lógica da oposição russa temos que nos pôr no lugar de um dissidente-maniqueísta que vê o mundo com a óptica da luta entre a Cultura 1 e a Cultura 2. Neste caso "em sério" vamos descobrir, que o estalinismo/Mal/Cultura 2 estão presentes na Rússia moderna por todas partes: 

- Em 2000 foi devolvida a música do hino da URSS para o hino da Rússia; 

- Em 2000-2003 foi devolvida a bandeira vermelha para as Forças Armadas da Rússia (desde 2003 na bandeira vermelha aparece uma imagem da águia bicéfala, acompanhada pelas estrelas de cinco pontas); 

- Em 2003 foi inaugurado o arranha-céus neoestalinista "Triumph Palace", neoclássica outra vez vira uma moda; 

- Os antigos brands soviéticos cada vez são mais presentes (até as companhias estrangeiras marcam seus produtos com os brands da URSS, porque assim os compradores tem mais confiança: o soviético quer dizer de ótima qualidade); 

- Por toda a parte aparecem os pequenos museus (privados!) da nostalgia soviética. Há rumores da organização de um Instituto ou Museu da URSS em Uliánovsk; 

- O governo acentua seu apoio à maternidade desde 2007; 

- Em 2010 o novo prefeito de Moscou qualificou o projeto de Moscow-City como um erro urbanístico (Moscow City é um macaqueamento de Manhattan, o símbolo principal da Rússia neoliberal, o projeto prima da época de Yéltsin, cuja família é proprietária da metade da obra); 

- Em 2012 para a festa do Dia 9 de Maio Moscou foi decorado com as bandeiras vermelhas da Vitória; 

- No cinema russo o grado tradicional de antisovietismo baixa quase até zero ("Fortaleza de Brest", "Leyenda 17", "Gagarin, o primeiro no espaço", etc.); 

- Em 2013 foi devolvido o uniforme obrigatório para os alunos de escolas; 

- Em 2013 foi proibida a propaganda LGBT; 

- Em 2013 foi restaurada a homenagem de "Herói de Trabalho" 

- Restauração dos parques públicos: Gorki, Sokólniki, VDNKh. Construção do Parque Zariadie perto do Kremlin; 

- Cerimônia da apertura das Olimpíadas em Sochi em 2014 

- Restauração de 2 pavilhões na expo VDNKh para seu aniversário de 75 anos em 2014 (também foi devolvido o nome soviético VDNKh à expo, que na época dos 90 tinha outro nome, ninguém lembra qual). 

- Folclorização da cultura POP: Igor Rasteriaev, Alexandr F. Skliar, Vovós de Buranovo. Atualização do escritor nacional-bolchevique Eduard Limónov, a popularidade do presidente da Chechênia Ramzan Kadýrov (Limónov e Kadýrov são o "Id" do povo russo); 

- O interesse para todo o soviético vira um mainstream, igual ao culto quase oficial dos Romanov: são muito exitosas as exposições "Desenho Soviético", "Vênus Soviética", "Mito do líder amado", "Infância Soviética", etc.;

Putin como Alexandr III
Mas estas coisas, que mencionamos acima são só características formais do "stalinismo eterno". Ao nível de conteúdo o stalinismo volta como um "cesaropapismo" - lhes diriam os intelectuais liberais, queixando-se das "relações" entre a Administração de Presidente e a Igreja Ortodoxa Russa. A formação da "nova aristocracia" também é uma característica de "stalinismo" para os liberais, que não vem diferencia nenhuma entre o gerente de Stalin Kaganovich [5] e o gerente de Pútin Abramovich (famoso mundialmente). A confrontação com o Império de Bem (Ocidente) também é um dos sinais mais claros de "stalinismo". 




Claro, que para a esquerda ou aquelas pessoas que ainda lembram-se do passado soviético tudo isto é um ultraje. Obviamente as formas soviéticas que "voltam" já tem um conteúdo totalmente antissoviético. O uniforme escolar na URSS sublinhava a importância social dos estudos, quando hoje na Rússia o uniforme escolar só deve mascarar a desigualdade terrível de rentas dos pais das crianças. Embora que os diretores ultimamente acudam ao ambiente soviético para suas series e filmes, eles obrigatoriamente continuam desmascarando os "crimes de stalinismo" (às vezes eles chegam até a escala épica da bobagem como o diretor mais famoso da Rússia Nikita Mikhalkov, vencedor de Óscar) [6]. A mesma Igreja Ortodoxa Russa parece que a única coisa que faz é lembrar aos russos sobre os "crimes" de Stalin e "perseguição da Igreja" na URSS. A alardeada restauração do Parque Gorki o fez inacessível para os Veteranos de Trabalho de todos os tempos.

Mesmo assim, achamos que há um elemento de verdade na ideia do "retorno do stalinismo". Perguntamos a um jovem designer de roupa, porque ele não quer ir embora da Rússia, se o centro do mundo para ele é Paris e "na Rússia não inventaram nada de nada". Ele responde que justo agora começou se sentir em casa na Rússia. Putin para ele é um político absolutamente europeu, que morou a metade da sua vida na Alemanha e conhece a tradição europeia. Por que até a gente eurocentrista, embora na crise econômica, se sente justo agora 'como em casa'? 
Medvedev como Nikolai II

Claro que não há retorno nenhum de stalinismo, senão do estado. Nos termos da teoria demógrafica-estrutural [7.] vivemos a fase da "reação tradicionalista" que segue depois da fase da crise/inovação e antes da fase da síntese. O retorno das formas soviéticas com conteúdo antisoviético - é uma reação tradicionalista à catástrofe dos anos 90. A superação do antissovietismo, que estamos esperando tanto na Rússia, poderia ser uma sinal de aproximação da fase da síntese. 

É interessante como está mudando a postura do Patriarca Kirill: há pouco, ele reconheceu a façanha de Zoia Kosmodemianskaya, que era uma mártir da luta da URSS contra a Europa Fascista. Se antes a Igreja Ortodoxa Russa repetia todos os dias as besteiras antissoviéticas do tipo: "Se Lenin pudesse se benzer, ele desapareceria como um diabo acabado", hoje a Igreja descobre na experiencia soviética aos mártires e o lado positivo do projeto da URSS! 

O problema é que a oposição maniqueísta não procura nenhuma "síntese". Daí vêm a alegria e a inveja pelo motivo de "Leninemoto" na Ucrânia durante os últimos anos (depois da revolução colorida em 2004 e hoje depois do golpe de 2014). Cada vez na Rússia são mais audíveis as palavras: Talvez Hitler não fosse tão ruim para a gente... O Maidan de Kiev atrai aos "revolucionários" que se auto-identificam com a "Cultura 1": Maidan como o triunfo da arcaização, pocilga no centro duma cidade europeia, liberdade desenfrenada de niilismo. Como disse o escritor satírico neoliberal Mijail Zhvanetski: "Há de achatar a Rússia...". 

Neste sentido o caso escandaloso das Pussy Riot (ao pé das letras "a rebelião da vagina") pode ser interpretado como uma rebelião de buraco da piscina "Moscou" [8.] contra o Templo de Cristo Salvador e contra o Palaço dos Soviets que deveria ser construido aí nos anos 30. A oposição insiste: o Templo tem que ser explodido! O Palaço dos Soviets nunca deve ser construido! Precisamos da piscina, do "espalhamento, horizontalidade, futurismo"! 


1.2 A superação do cisma


Achamos que o governo deve satisfazer esta demanda! Vocês precisam de "espalhamento" - aqui tem a automovilização dos últimos anos. Aqui tem a terra de graça no Oriente Extremo (o governo ofereceu 1 hectare por pessoa no Oriente Extremo de graça para frear a despovoação da região). A cidade de Moscou está se espalhando a cada dia - administrativamente absorvendo as terras da região de Moscou e de outras regiões. As cidades se conectam com as vias férreas de trens de alta velocidade. O governo joga os ministérios federais fora de Moscou - para o Oriente Extremo. O tema de mudança de capital também surge periodicamente. A Terceira Roma deve ser espalhada por toda a Rússia: vemos, que por todas partes se construem os Coliseus das Universíadas, Olimpíadas e Campeonatos. 

Nas condições da crises e compressão demográfica para evitar a catástrofe o grupo governante precisa da redistribuição dos recursos das elites para o povo e claro que há de se relacionar com a toda a delicadeza com nossa oposição doida de maniqueísmo. 

O compromisso, síntese entre a Cultura 1 e a Cultura 2 na situação atual ao nível dos símbolos poderia ser a mudança da capital para o Oriente Extremo, precisamente para a cidade Svobodni (ao pé das letras: Livre), onde se constroi o novo cosmódromo russo. Assim, as ideias originais russas do século XX, como o cosmismo ecológico e vanguardismo soviético poderiam se combinar com a necessidade prática da Rússia de desenvolvimento do Oriente Extremo e da Sibéria, refugio seguro dos russos no caso da repetição de "Drang nah Osten". 

1. Os distúrbios protagonizados pela oposição neoliberal em 2012; 

2. Os distúrbios protagonizados pelos radicais da direita em 2010; 

3. O separatismo da Sibéria potencialmente pode virar um problema, porque a reorientação da Rússia para a China faz menos importante o papel centralizador de Moscou (orientado para a Europa); 

4. É interessante que o autor entendeu que seu conceito é bastante primitivo e até intentou escrever um ensaio "Cultura 3", mas ninguém se importa. 

5. Kaganovich foi super-efetivo, responsável por muitos projetos da infraestrutura soviética nos anos 30-40, depois de golpe de Krushchov foi expulso de poder e morreu em 1991 depois de ter passado 34 anos como um simples moscovita, era campeão de bairro de dominó, morava entre a gente normal. Achamos que hoje é impossível imaginar a nenhum político de mundo repetir tal biografia depois de ir embora de poder.

6. Como na época de Stalin no período de Putin surge o interesse ao tempo de Ivã IV, criador do imperio russo. Aparecem o livro "Um dia de oprichnik" de Vladímir Sorókin (2006) e o filme "Tzar" de Pavel Lungin (2009). Mas há muita diferença entre a obra genial de Serguei Eisenshtein, que analiza o mito de estado, e éstas sátiras vulgares, que impõem o mito liberal da Rússia.

7. A teoria demográfica-estrutural analisa as relações entre o grupo governante, as elites e o povo no marco dos ciclos econômicos e demográficos: crescimento, compressão, catástrofe, considerando também a difusão tecnológica e as agressões mútuas pela causa de expansão na busca de novos recursos. 

8. O templo de Cristo Salvador original foi explodido na época da revolução para constuir no centro de Moscou o Palácio dos Sovietes, o projeto ciclópico que foi parado pela Grande Guerra Pátria. Depois da morte de Stalin, Krushchov em lugar do Palácio dos Sovietes construiu uma piscina - a piscina "Moscou", que funcionava até os anos 90, quando foi restaurado o Templo de Cristo Salvador. 

Editado por Eduardo Consolo dos Santos e http://lang-8.com/

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